Wednesday, September 28, 2005

Sigur rós-takk(2005)



Há uma diferença,que tanto pode ser mínima como abissal, entre discos perfeitos e discos simpáticos. Passo a explicar: No primeiro caso,trata-se de um disco que nos surpreende a cada nota,compasso,ritmo, seja o que for, debitados. Aquele tipo de discos que, quando o ouvimos especialmente pela primeira vez, ficamos de boca aberta sem conseguir esboçar qualquer reacção,dizendo apenas e só "isto é perfeito". Como se,naquele momento, toda a música que já tinha sido criada, nada mais fosse que poeira insignificante que rapidamente desapareceria, para dar lugar ao disco que estamos a ouvir.

Por outro lado, temos os discos simpáticos: Aqueles que não são perfeitos,que até podem ser medianos mas,por uma coisa ou outra, têm um espaço de carinho dentro de nós,mesmo que não o saibamos explicar. Ou então são simpáticos porque os consideramos belos, com temas bonitos,bem apresentados,com coisas que nos cativem. Mas não serão algo de surpreendente, apenas belo. O que já é muito.

Será que todo este paleio nos leva ao verdadeiro objecto desta crítica? Sem dúvida. "Takk"(que ,como muita gente já deve saber,significa "obrigado" em islandês) é o novo disco de originais de sigur rós, depois do fantástico "()", esse disco que não tinha nome, nem língua ("hopelandic" foi o termo criado para as vibrações vocais desse álbum), cuja música extravasava qualquer componente musical. Não era perfeito,mas tinha grandes momentos de brilhantismo.

Então e "takk"? "Takk" é um disco bastante diferente de "()": Enquanto que o segundo, tinha uma enorme componente marítima, este prefere relacionar-se mais harmoniosamente com a terra, o ar, toda a paisagem islandesa. Enquanto que "()" não tinha canções, dentro de uma determinada perspectiva do termo, "takk" tenta ter algumas. E,de facto temas como o maravilhoso "glosoli", que possui um ambiente fantástico,e consegue criar momentos intensíssimos, sobretudo no seu último terço, ou "hoppípola" cujo piano acarreta algo de maravilhoso. Até mesmo a faixa final "Heysatan", possui alguns elementos que a fazem caracterizar como canção, onde tanto a voz como o piano, criam uma atmosfera extremamente íntima.

Mas,é agora que a porca torce o rabo: Para além destes temas, "takk" apresenta variações ambientais constantes, onde imprime uma enorme beleza, mas onde lhes falta um certo golpe de asa para surgirem em grande plano,para se tornarem algo de verdadeiramente surpreendente. Dentro deste espectro, só "Gong" consegue de facto suplantar-se a si mesma, e tornar-se num belíssimo exercício sonoro, numa das faixas mais encantadoras do disco. O resto do disco, está muito longe de ser mau, ou mediano, bem pelo contrário: Surgem-nos ao ouvido melodias muito bonitas, sinceras, honestas,românticas. Mas são só isso. Não acarretam aquilo que falta para a perfeição: Não conseguem intensificar-se, as atmosferas acabam por ser demasiado desviantes de atenção sonora, isto a meu ver. E se isto é algo de muito positivo em certas alturas, deixa de o ser quando se pedia mais de uma banda que já deu tanto.

Às pessoas que acharam que "takk" é um disco perfeito: Não fiquem zangados comigo, compreendo perfeitamente as razões para que assim o tenham feito. Eu é que não considero que, quando um disco é muito bonito, seja imediatamente perfeito. Para mim, se não existe um patamar de intensidade maior, que me faça estar atento igualmente a todo o disco, então ele não pode ser perfeito. Também não acho que o disco seja um bloco uno e indivísivel, que o permita considerar totalmente coeso, como se de um tema só se tratasse.

Por isso "takk" é um disco honesto, com belas canções(como "hoppípola e "glosoli"), alguns bons momentos sonoros(como na grande "gong") ,mas que depois acaba por se perder em ambientes,belos é certo,mas algo inócuos. No entanto,não deixa de ser um disco simpático: Extremamente simpático, daqueles que ouvimos com um sorriso nos lábios sem ele se descolar. Porque o achamos bonito. Muito bonito. Mas ficamos tão envoltos nessa beleza, que podemos não ser capazes de analisar os dados mais friamente. È um disco bonito, simpático, cativante sim. Mas não é perfeito. Tanto melhor: Assim mais facilmente o apreciamos.
7/10

6 Comments:

Blogger Joana C. said...

eu sou uma das pessoas que acha o álbum perfeito. porque realmente aquelas melodias mexem cá dentro :)

12:23 AM  
Blogger Spaceboy said...

Não é perfeito, mas não estão muito longe disso.

2:45 PM  
Blogger catavento said...

sim, também não o achei perfeito, mas gostei muito...
as coisas perfeitas enjoam-me, antes assim!!

1:49 PM  
Anonymous xina said...

ora se a questão se prende com a perfeição, não, de todo que não; mas não pudemos fugir à celestiedade das melodias que tão intimamente nos tocam. As melodias, as letras e a filosofia que evoca, decerto que é no mínimo profundo, e não deve passar despercebido ao comum dos mortais pois é também, a meu ver, uma "lição de vida". não esqueçamos 1 ponto importante que não pode deixar de ser focado - o conceito perfeição; penso que só a referência explica tudo o que quero explicar. Não podemos definir 1 album como perfeito, simpático, simplesmente porque a definição varia de pessoa para pessoa e a sua atribuição de igual moso. No entanto não posso deixar de concordar que a meu ver a perfeição não é atingida aqui, se é que alguma vez poderá a poderá ser, o que duvido e rejeito até.
Um álbum, um grupo para o qual ainda não arranjei a definição correcta para aquilo que movimenta em mim e desconserta cá dentro; é de facto um som celestial, leve mas profundo, comovente, melancólico (se transportarmos para ela certos pensamentos),extremamente feliz e optimista com a nossa existência e com tudo o k ela transporta; o brilho do mundo, da vida.

4:05 PM  
Anonymous Anonymous said...

acho q só n é perfeito pk n o admites, pk n te deixas maravilhar até ao fim, pk tens medo q depois n haja mais nada melhor para viver. N somos capazes de fazer melhor, e em vez de nos maravilharmos com o q nos é oferecido, dizemos q n é perfeito, colocando-nos num patamar de superioridade e exigencia superior onde escondemos o nosso Ego. Se nos despirmos do ego até com uma casca de àrvore podemos ficar maravilhados, qto mais de fronte a uma obra de arte como o takk :)

12:59 PM  
Blogger Encarando o Duende said...

É perfeito sim...
E pronto.

2:43 AM  

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