Friday, September 21, 2007

"Superbad" de Greg Mottola (2007)



Dois amigos (vá três) armados em altos nerds. Miúdas. Um liceu quase no fim e a maldição da virgindade por perder. Uma festa decisiva, onde um deles é encarregado de arranjar o belo do alcóol (pois claro só aos 21 nos states), à pala de um BI falso com o nome mclovin.

Não, não é mais um tomo de "american pie", nem o regresso da saga de nerds dos anos 80 que teve bastante sucesso pelos states. è mesmo nova produção de Judd apatow, o realizador de "The 40 year old virgin" que se escapou inteiramente à comédia escatológica, e apresentou um virgem de 40 anos como deve ser: normal. "Superbad", adapta este ponto de vista à adolscência, embora fosse obviamente impossível deixar as piadas sexuais de lado. como o retorno à infância de uma das personagens, ou a rebarbadice a olhar para os seios da mãe alheia.

"Superbad" tem uma vantagem: faz rir. Mas a sério. Tem boas piadas, humor bastante doseado, e um grau de inteligência, suficiente para que elas não pareçam tão tolas quanto isso. Tem situações caricatas (como aquela do sangue das calças) mas estranhamente plausíveis. Tem o tom rebarbado normal em tipos de 17/18 anos, mas nunca lhe acrescenta nem aquela dose irritante de moralidade, nem uma obsessão absoluta e total em relação ao sexo. Esta não é a história de 3 amigos que querem deixar de ser virgens, mas sim a história de um ritual de passagem, com todas as consequências que disso podem advir (um pouco como o primeiro "american pie" era a espaços).

O melhor do filme é mesmo a sua capacidade gritante em criar gags cómicos, mas ao mesmo tempo de nunca nos fazer esquecer que existem ali personagens quase reais, que parecem viver uma vida tão normal como as outras. Ou seja temos uma crónica humana embrulhada em puro nonsense que vai ao extremo com os dois polícias completamente caricaturais(mas ao mesmo tempo cheios de humanidade) e com o gozo puro em relação às crianças, sem-abrigo entre outras coisas com que habitualmente "é feio brincar".

"Superbad" não é um filme genial: afrouxa um bocado para o fim, acaba por ser inverosímil(na vida real era absolutamente impossível aqueles tipos conseguirem ter miúdas daquelas - só mesmo em filme, o que não deixa de ser um ponto desfavorável ) e por vezes ultrapassa um bocadinho os limites escatológicos, roçando o mau-gosto. Embora sejam pouquíssimas vezes diga-se. ainda assim um bocado de mau gosto nunca fez mal a ninguém, e por vezes até se recomenda: por outro lado a sequência do "i love you" e a final, completamente longe daquilo que costumamos ver num filme destes, acabam por dar um toque bastante positivo ao conjunto da película. Que não é um portento de inteligência, mas consegue criar bons caracteres a viverem situações quase reais. Por isso é para ver, sem reservas.

7/10

1 Comments:

Blogger Semolina said...

Deveras engraçado! Só peca mesmo pelo final...
Grande McLovin :p
lolll

11:39 PM  

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