Tuesday, July 05, 2005

VINTAGE:BOTCH-WE ARE THE ROMANS(2000)



Hoje em dia muito se fala das ondas noisecore, e de todo um conjunto de subgéneros que o tradicional hardcore deixou transparecer, especialmente a partir deste início de milénio. Desde uma maior adaptação ao metal, passando pelo emocore/screamo, como pelo já referido noisecore.
Poderemos, inclusive, colocar diversas bandas no topo da lista de cada um destes subgéneros: Se no noisecore temos uns geniais the dillinger escape plan,de alguma forma os converge, ou os burnt by the sun, dentro do metalcore diversíssimas bandas como uns killswitch engage, ou no emocore underoath ou mesmo dead poetic ou thursday.
Bom,mas nada disto tem a ver com botch. Excepto noisecore. Mas será que o ideal será colocá-los dentro do noisecore? E afinal o que é este subgénero que tem bandas tão diversas como the dillinger escape plan, ou converge? E se falarmos de hardcore quando falamos de botch? Ou, melhor ainda, se deixarmos a música fluir por ela própria? Será o ideal?
È sem dúvida.Os botch foram portanto uma banda. Deixaram de existir há uns anos atrás, oferecendo agora um legado absolutamente impressionante no que diz respeito a qualidade. Poucos discos editaram, mas a verdade é que o padrão qualitativo sempre foi algo que se manteve altíssimo na carreira da banda de Seattle.
"We are the romans" é, porventura, o registo mais brilhante de uma carreira que pecou por ser curta. È uma espécie de súmula da genialidade do colectivo, na sua capacidade de conciliar peso e elementos experimentais, de conceber atmosferas caóticas e densas melodicamente,tudo ao mesmo tempo. Exemplo desta dicotomia é o tema "Swimming the channel vs Driving the chunnel", onde toda uma atmosfera de sussurros, num esquema instrumental concebido na perfeição recheado de elementos quase jazzísticos, foi tremendamente bem executada.Ou mesmo "C thomas howell as the "soul man"", que, num só tema, contém raiva e melodia de uma maneira arrebatadora. E tem um fim absolutamente tremendo, recheado de emoção e força.Ou ainda o épico "Man The ramparts" que tem tanto de hardcore como de cânticos quase eclesiásticos.
Por outro lado, todos os outros temas demonstram uma preocupação instrumental absolutamente tremenda: Não é nada arriscado referir que os botch são,de facto, excelentes músicos.E que conseguiram criar temas épicos e experimentais ao mesmo tempo. Temas de raiva vocal e de deleite instrumental.
Tudo isto chegará para descrever esta obra-prima, de nome "We are the romans"? Não. Muito mais poderá ser dito. Passando pela preocupação, não em fazer canções no sentido mais exacto do termo,mas sim de criar muralhas sonoras prontas a serem trepadas por nós.E que,por vezes, conseguem ser canções de uma forma não tão objectiva. Passando, pela forma de como toda a instrumentalização foi concebida: Crescendos instrumentais, variações rápidas e oportunas de ritmo, com uma voz que também sabe variar consoante o registo dos instrumentos.
"We are the romans" é música no seu verdadeiro sentido. Seja pesado ou não. Seja hardcore, ou noisecore, ou até metalcore. Ou sendo tudo isto, nunca deixa de ser música: Música feita com rigor e plano,mas fluindo de uma maneira absolutamente natural que deixa qualquer apreciador de boa música verdadeiramente abismado. Um clássico,enfim, do hardcore que devia ser muito mais valorizado.

9/10

3 temas de loucura: "C thomas howell as the "soul man" ", "Swimming the channel vs Driving the chunnel","To our friends in the great white north"

1 Comments:

Anonymous Ricardo said...

para mim é sem duvida a melhor banda de todos os tempos

2:19 AM  

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