Thursday, April 26, 2007

O que é música, arte, essas coisas todas e o camandro.



Marcel duchamp - "A fonte" 1917



Picasso - "Guernica" 1937



The dillinger escape plan - "Miss machine" 2004

Arte. O que é a arte? O que é o gosto? E o que é a revolução?

Meus amigos, estamos 33 anos e um dia depois da revolução dos cravos. 26 de Abril portanto. E,como toda a gente sabe, passou-se de um estado ditatorial para um estado democrático, através do salgueiro maia e povo adjacente. depois temos uns a exaltar as conquistas de abril, e aquilo que o 25 de abril foi, e outros a achar que já é tempo de pararmos em pensar em abril, concentrarmo-nos no nosso estado democrático, e partir para a frente. e o que eu penso em relação a isto, sinceramente não conta para o caso.

O que conta é que não existem só revoluções políticas. Existem também revoluções artísticas, culturais, até desportivas, ambientais seja o que for. Praticamente tudo pode ser subvertido, umas coisas com mais impacto que outras. Neste caso, incluo "a fonte" de duchamp, e a "guernica" do picasso, obras que, embora canónicas, continuam a ser extremamente controversas. Temos puristas a achar que até um puto de 5 anos podia fazer aquilo(fazer não sei, mas lembrar-se de fazer algo do género duvido), e gente que encara ambas as obras enquanto estandartes de um novo pensamento artístico, bases revolucionárias, verdadeiros instrumentos para um pensamento livre, que extravasa o conceito de ideia feita. e aqui, tomo posição: vou neste segundo argumento.


Por outro lado, e em jeito provocatório, gostava de saber se todas as pessoas que concordam comigo neste conceito de arte, também poderão encarar a música dos the dillinger escape plan, sem preconceitos ou ideias feitas. Se disser que duvido muito disso, não me parece que esteja errado. aliás ter colocado a obra genial dos norte-americanos, juntamente com outras duas obras geniais foi também um certo jeito de provocação, para com aqueles que acharão uma heresia fazer algo deste género. Caguei, enfiem a carapuça. Afinal os dillinger não fizeram "miss machine", ou o resto da sua discografia, para agradar a ninguém, tal como o duchamp e o picasso em relação às suas obras. E tanto os dilliger como picasso e duchamp criaram um movimento de desagrado e de choque em relação ao apresentado por todos os artistas.

Falo disto, porque num fórum que eu frequento regularmente (forumusica.com, cujo link anda por aí algures na coluna da direita- para o povo do firefox pelo menos) apareceu um tópico sobre os dillinger, e as palavras "repugnância", "nojo", mesmo "merda", ou aquela bonita frade do "isto não é música", foram mencionadas mais que uma vez. Quer-me parecer que com o duchamp e com o picasso aconteceu o mesmo. quer-me também parecer que, pelo menos em duchamp, isso foi claramente um dos objectivos. em picasso, se esse não era, foi pelo menos a melhor forma que o pintor espanhol encontrou para poder extereorizar as suas emoções. E talvez os dillinger possa reunir ambas as vertentes.

Que o noisecore dos dillinger é algo demasiado radical e experimental para muita gente parece-me evidente. Que o som caótido da banda é completamente diferente da larga maioria das coisas que se ouvem, também. Mas não é aí que reside o verdadeiro valor de uma banda? A sua criatividade, a sua capacidade em fazer algo diferente, em chocar, em tornar-se um objecto verdadeiramente revolucionário em toda a sua essência? não é um prazer poder dizer que se gosta de dillinger, e ver os outros enojados ao ouvir o som da banda norte-americana? Para mim é. Saber que os dillinger são meus, e que pouca gente os consegue compreender acaba por se tornar um prazer. e saber que, possivelmente, eles serão devidamente valorizados daqui a uns anos, tal como picasso e duchamp o foram depois(sobretudo o pintor espanhol), deixa-me ainda mais orgulhoso por saber que fui na corrente contra tudo e todos.

Mais coisa menos coisa.

e ouçam o "miss machine". È mesmo das coisas mais revolucionárias que a música nos deu nos últimos anos. Arrisco-me quase a dizer que os dillinger são a banda mais marginal e inovadora que por aí anda, depois dos brilhantes faith no more. Talvez não tenha sido por acaso que mike patton tenha dado voz a "irony is a dead scene", um dos ep's da banda...

4 Comments:

Blogger celtic said...

esses gajos gostam de linkin park e a banda preferida de grande parte deles é dream theater, bem, é como 2+2 serem 4: não têm voto na matéria e dillinger escape plan rocka.

:D

9:35 PM  
Anonymous Anonymous said...

ja vi dillenger duas vezes ao vivo e sao completamente avassaladores, kuanto ah sua musika ah gosto para tudo mas n podemos negar k sao unikos eheh

4:13 AM  
Blogger Spaceboy said...

esse disco é um dos poucos que realmente ambos gostamos imenso. os gajos do forumusica sao uns totos, nem ligues.

1:35 AM  
Blogger Joana Coimbra said...

bom post, boa analogia, e confesso que nao conheço mto bem dillinger, but i got the point, tenho o EP com o patton que é de gênio, sim senhor.

1:06 AM  

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